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Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

22
Mar09

Navego

Sara Oriana

Deus, que partidas pregas tu a minha alma?

Que já nem sei o que sei nem o que quero saber

Sei que navego por águas estranhas, sem o serem

De repente tanta calma?

Oh, bom agoiro não pode ser,

E eu cá ando, velejando.

 

Vou amando vou amando,

Nada faço, há muito que me deixei de guerrilhas

E quanto mais olho para a água que me vai guiando

Mais me agarro ao mastro e as velas.

 

Vou vendo o barco cada vez mais pequenino,

E a água? Mil cadáveres com olhos brilhantes

E este nevoeiro que não passa, e se aparece um remoinho?

Arrastar-me-ão com eles, eu sei, talvez me salve antes

 

O mastro vai ficando também estreito, escapa-me

E eu, eu vou agarrando-me como posso,

Mas os mortos vivos chamam-me

Acabarei engolida pelo meu foço.

13
Jul08

Conformação

Sara Oriana

É difícil acordar de tamanho pesadelo,

Acordei, mas sem coração, desapareceu de meu peito

Arranquei-o sem querer... eu apenas queria esquece-lo

E agora, agora não estou bem nem mal, existo...

 

A minha existência não é difícil, sou una

Mas, mesmo assim, o vazio não me abandona

É como um capataz que me quer tirar o que não tenho,

Estou tão viva, mas já não sonho...

 

Tornei-me mais céptica, cresci, mas não queria

Já não sou nem guerreira nem princesa nem sereia

Sou apenas mais uma que existe,

Mas uma que nesta vida insiste...

 

Estou aqui, bem aqui, mas do néctar doce já não provarei

Porque deixou de existir, para mim

A esperança foi-se, com meus sonhos

Deixar-me-ei ir

Na minha corrente, assim

Descansando, por fim...

03
Jun08

Calmaria

Sara Oriana

Cá me afundo, afundo em mim mesma,

Afundo-me na minha vida, que me dá tudo

E como em tantas outras, tira de seguida...

 

As rimas não existem,

Porque me parecem ridiculas neste momento

Estou calma, tão calma que me deixo arrastar no velório que é meu

Não existe mais nada, a não ser eu, eu e a minha melancolia.

 

Não choro, estou demasiado calma para isso, mas desvaneço

E quero-me puxar para cima, mas no fundo quero ir

Quero partir para nunca mais voltar...

Seria tudo tão mais facil, esquecer o mundo, esquecer-te a ti

 

De qualquer das formas ninguém repara...

Tenho que implorar por alguém que me oiça,

Porque sou forte, porque sou sempre forte,

E ninguém vê uma pessoa forte mal,

É como ver que mesmo para Aquelas pessoas,

O mundo não sorri, e a esperança vai-se...

 

E eu que sou a esperança dos outros?

A quem recorro para me dar esperança?

A mim... A ninguém

 

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