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Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

26
Mar10

sonho/pesadelo

Sara Oriana

Sou tão feliz quanto poderia ser triste

E de tão feliz, que esta me esconde e mente

Sou todos os dias anestesiada por esse amor

E esse amor mente-me e diz, acabou-se a dor

 

Mas eu, bem no fundo, sei que não

Sei que nas noites mais negras e escuras

Quando a paixão se acalma, e vem a solidão

Assombrar-me-ão essas dores esquecidas

 

Não haverá lagrimas, não haverá gemidos

Somente a ausência de luz e o silencio

Adormecerei então embalada pelos pesadelos

 

Acordarei mais tarde, de novo para um sonho

Beijar-me-às a testa e a boca, voltará a paixão

Serei então eu, feliz, levando a mim e a ti pela mão

25
Nov09

Farta

Sara Oriana

Eu sou uma alma perdida, um sonho esquecido

A mais terrível ferida, que a dor pensa ter perecido

Eu sou um veneno que reina a terra, o breu no mundo

Eu sou um buraco negro, que de tão grande já não tem fundo

 

Eu sou o medo, eu sou a fraqueza, eu sou humana

E de tão humana, chego a ser verme, a ser lama

Mas sei que seria melhor se, sei que poderia se

Mas não sou, e não sou porque nunca quis ser nada

 

Tão nova e mal me consigo manter de pé

As doenças que tenho nas pernas sou eu a causa

A conformidade, sobriedade, e a loucura até

 

E por fim, depois de tanto tempo, estou farta

Estou farta de escorregar cair e dar com os cornos no chão

Se cair que pelo menos seja eu a me atirar ao chão!

 

 

 

 

28
Set09

Tormento

Sara Oriana

O tormento que me deixas-te dura e dura

Vivo lutando contra esta tormentosa tortura

Todos os dias me perco e me encontro

Não há um dia no qual não te ame ou não te odeie

Tento desenterrar tudo o que me enterraste cá dentro

Quando acho que finalmente te expurguei

Deparo-me tardiamente, que não passa de outra ilusão

Tu pareces estar-me infiltrado nas veias,

Parece que me envenenas-te com uma tremenda precisão

Um veneno que não me mata de todo,

Mas que me leva sempre a maior parte

Como não há mais nada, sou teimosa e sou forte

Levando assim ás costas um mundo bem pesado

Porque se não o agarrar, se não o segurar bem

Perco tudo, e a razão também

25
Abr09

Se pudesse viver de lembranças

Sara Oriana

Se pudesse viver de lembranças vivia,

Perdia-me na minha mente, em mim

Apenas vivendo os doces momentos

Momentos esses em que existia...

 

Agora sou uma cascata sem fim,

Um fundo poço de tormentos

Castigando-me e lamentando-me assim

Lambendo todos os meus ferimentos

 

Mas dia após dia nada melhora

Desde o alvorecer ao entardecer

Sonho sem sonhar e vivo sem viver

 

Vou apodrecendo, não há nada, e tudo piora

Vou vivendo, esperando a minha melhora

Mas sem me iludir, porque disto não vou morrer

 

14
Abr09

Louca

Sara Oriana

Olho para o nada de mim, temendo a loucura

Temendo a tempestade que me vem assombrar

Temendo o nada que é a minha sepultura

E esta solidão que me está a matar

 

Dói-me tudo por dentro, nada fica, nada

Sonho com a noite que nunca mais vou acordar

Sinto-me endurecer, e não quero, estou aterrorizada

Consumo-me por não querer, nem conseguir chorar

 

E tu, ai, bem, andando, rindo, sonhando

 

Então pergunto porquê, grito, rasgo-me

E não há nada ninguém, que me veja

Tudo continua, tudo anda, e eu mato-me

O mundo ignora-me e eu acalmo-me

 

Não há alegria que anteveja

E eu, eu sou doida

Vou ficando meus queridos vou ficando

Uma pobre louca, no mundo, perdida

08
Abr09

Quem sou

Sara Oriana

Quem sou eu? Neste momento sou nada

Um reflexo no espelho banhado em lágrimas

Uma imagem, em mil pedaços partida

 

Quem sou eu? Nada, estou perdida nestas tramas

Perdida, só sinto dor, sou-a de todo

Desfiada, rasgada e embaraçada, tantas mágoas...

 

Quem sou eu? Ninguém, um coração partido

Moribunda, sem o estar, e isso revolta-me mais

Vazia de emoções, mas com a pior de todas bem no fundo

 

Quem sou eu? Tudo, sem ser nada demais

Vazia até ao tutano, Não há nada, ninguém

E eu quero, como tudo o que fui, desaparecer também

 

22
Mar08

Cega luta

Sara Oriana

Encontro-me sem saber para onde olhar,

Sabendo de antemão que tenho de lutar

O pior é que nem sei contra quê....

 

A minha determinação, espada leal

Desfaz-se na minha mão,

A minha segurança, escudo colosal

É levada pelo vento

E tu feres-me letalmente o coração

Cegamente...

 

Sinto-me impotente contra o mundo

E sento-me e faço a maior birra

 

Quero-te aqui, por um pouco

Que me abraces e leves para longe

Longe da tormenta que me consome

Que me consome não, que me devora

Que rasga tudo o que é pele e osso

Porque me recuso a voltar ao fundo do poço

 

E tu estás ai... porque olhas para longe? Eu estou aqui!

Estou a teu lado e vejo-te tão distante

Com mil e uma preocupações, e eu, apenas olho para ti...

Sempre há espera do meu momento, um instante

Rezando para que me voltes a ver

Porque, para esse outro mundo, não te quero perder...

02
Dez07

Paz sombria

Sara Oriana
Oh.. La estou eu de volta á minha areia
Ao meu sol quente e seco
Tão pacifico que até chateia
Deixando as ideias seguir
Matando as que me querem afligir

Sem um jardim, uma flor
Uma brisa abençoada
Com aquele cheiro e sabor
De uma criança embalada

Chamo pelos meus anjos, estou sozinha
Chamo-os calmamente, sinto-me pequenina
Uma espada na mão, um caminho incerto
Pelo menos tenho os pés no chão
E não estou perdida no deserto

Areia... qual areia e qual deserto
Um campo de batalha sim, é mais que certo
Estendida, ligeiramente ferida, mas não perdida
As nuvens vão desaparecendo
O sol raia, sem alegria, banha-me de paz
Esse anjo que agora é meu capataz
E assim a minha condição vou esquecendo

Qual capataz?! Qual anjo?!
É o sol, e sol é apenas isso
Um astro,  sem um unico desejo
Eu é que o faço trazer-me paz
Eu é que o transformo em alegria
Ou neste caso paz sombria

Porque em campo de batalha não reina alegria
Porque ele é o decadentismo da humanidade
É o podre, o mau, a morte
Só deixa sofrimento e saudade

Mas para mim, paz apenas
Sei la, sei apreciar coisas pequenas
Como o vento o sol a brisa
Mas não quero pensar
Quero olhar e ficar assim
Sem morrer, sem matar
Quero apreciar o começo do fim

E sem morrer, em pedra me transformo
Me uno á terra, sou parte dela
Humanidade? Não faço mais parte de decadentismo
A paz almejo, e a tenho, sombria mas abençoada
Não estou morta e não sou completamente pedra
Porque sinto a paz tão almejada
Não sou completamente humana
Pois não sinto mais nada
20
Nov07

Pôr do sol

Sara Oriana
E se aquele pôr do sol fosse eu?
Se eu desaparecesse assim?
A minha vida, e tudo o que sucedeu...
Eu não passaria de uma flor de jardim
E na verdade, posso não ser o pôr do sol
Mas os momentos são mais fugazes que isso
E o tempo algo extremamente impreciso

Eu, eu sou apenas uma folha ao vento
Vendo mil pôr do sois
Aproveitanto cada escasso raio, cada momento
Mas não consigo ter a segurança da manhã
Não me fio em Deus, sou como que pagã
E miro o pôr do sol, temendo a noite
E agradecendo a sorte
De um ultimo raio de luz
Daquele doce brilho, que tanto me aquece
Essa luz que me esquece
Mas que tanto me seduz...
10
Nov07

Tempo

Sara Oriana
Nunca desejei tanto que o tempo para-se
Nunca pensei que este me atormenta-se

Os momentos escoam-me da mão
Quero abraçar-te,
Quero beijar-te
Acalmar o meu coração
Mas quando dou por mim
Já em pó te transformas-te
E esperando, fico aqui
Debaixo da minha tempestade

Só tu me das guarida
Só tu acalmas esta alma atormentada
Com o teu abraço acolhedor
Que me afasta qualquer possibilidade de dor

Então o vento volta a levar-te
O tempo arranca-te dos meus braços
E eu fico num mar de sargaços
Condenada a esperar-te
Atormentada por fantamas
Sonhando contigo apenas

Só assim sei o quão te adoro
Ao não te ter, enquanto te espero
Só Deus sabe a falta que me fazes
Vendo a espera do abraço que me trazes...

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