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Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

27
Mar09

Nestes momentos

Sara Oriana

Nestes momentos em que o nó na garganta aperta

O mundo, por muito brilhante, nos parece cinzento,

Quando a dor que sentimos, a cada momento nos esgota

Quando nos olhamos ao espelho e não vemos ninguém

Quando queremos que tudo á nossa volta partilhe o nosso sofrimento

Querendo destruir, aniquilar tudo, só para que nos sintamos bem,

 

E as lágrimas prendem, porque não querem sair

Ou porque não queremos que elas saiam,

Arrumamos tudo aquilo que queremos ver a cair

Só para dizermos a ninguém que estamos bem

E apenas rezamos para que com tudo não percamos a razão

 

Qual razão, nunca se sabe, apenas que não queremos piorar

Sabendo que é apenas o inicio, que nada vai melhorar

Vamo-nos atirar para o abismo e queremos permanecer calmos

Porque bem no fundo sabemos que não há outra opção

Sabemos que é necessário morrer para renascer

Mas nós nem preparados estamos...

Desesperamos perante qualquer conformação

È demasiado cedo para perder, tentamo-nos convencer

 

Mas nada, não há um único sinal que nos diga o contrário

E choramos, desesperamos, rastejamos, porque não queremos andar

Queremos esperar que nos venham salvar

Mas nada há para além de um grande abismo, estamos no silencio

Não há vento, apenas erva morta, devastação desastre

Somos uma humana catástrofe,

 

E depois? Depois vem a revolta... Queremos destruir

Destruir as ervas e os troncos mortos, o ar que não se mexe

A tristeza que nos está por dentro, tudo vale, para o abismo não ir

Perguntamos ao céu mil vezes o porquê, nada responde

Começamos a destruir-nos a nós, nada há para além disso

Apenas queremos aliviar a dor, e para isso fazemos tudo o que for preciso

Imploramos, rastejamos, choramos o que somos, o que não somos

E no fim, depois de tanto esforço, sabemos que estamos perdidos...

 

 

 

22
Mar09

Navego

Sara Oriana

Deus, que partidas pregas tu a minha alma?

Que já nem sei o que sei nem o que quero saber

Sei que navego por águas estranhas, sem o serem

De repente tanta calma?

Oh, bom agoiro não pode ser,

E eu cá ando, velejando.

 

Vou amando vou amando,

Nada faço, há muito que me deixei de guerrilhas

E quanto mais olho para a água que me vai guiando

Mais me agarro ao mastro e as velas.

 

Vou vendo o barco cada vez mais pequenino,

E a água? Mil cadáveres com olhos brilhantes

E este nevoeiro que não passa, e se aparece um remoinho?

Arrastar-me-ão com eles, eu sei, talvez me salve antes

 

O mastro vai ficando também estreito, escapa-me

E eu, eu vou agarrando-me como posso,

Mas os mortos vivos chamam-me

Acabarei engolida pelo meu foço.

28
Mai08

Ermo do Abismo

Sara Oriana

Tenho uma enchorrada em mim,

Palavras que se querem soltar

Porcaria que se quer desprender por fim

Mas que nunca sai, nunca....

 

Estou no ermo da minha propria sanidade

Por isso se perder o sentido do que digo,

Nada de novo, nenhuma novidade,

Já não me importo, sou menos que mendigo,

Porque a dádiva de saber pedir, a humildade precisa

Nunca a tive, e estou completamente perdida...

 

E de desespero peço a anjos que não estão lá,

Peço às pedras que me agarrem, à água que não me leve

Às estáticas árvores que me prendam com as suas raizes

Mas nada acontece, e a minha sanidade fica tão breve,

Como a vida nos faz isto sendo nós meros aprendizes?

 

Choro... Choro tanto, por mim, apenas por pena

Pena do que sou, do que sinto, do que penso e não penso,

Do que poderia ser mas não sou, pobre menina...

A vida é um tedio... Tédio?! Como pude dizer isso!!!

Estou tão cansada...sinto-me destroçada...perdida... quero descanço!!

 

Mas não...descanço?! Descanço é para os inválidos!

Porque esses já têm problemas que cheguem...

No fim ninguém tem paz. é mera utopia...

Não vá... é passageira... para depois ficarmos doidos!

Não há doença para tanta gente, nem nome, mas esperem...

É igual para todos... vá depressões para toda a gente! Que alegria!

 

E cá ando eu num mundo de doidos, em que ninguém o pode ser

Porque se o for...ai ai!... hospício com ele, que só cá queremos gente sana

Cleopatras, Hitlers e Napoleões, já nos bastou um de cada,

Gente que se tenta matar, pobres coitadinhos, vá comprimidos para cima,

Pode ser que não morra da doença, morra da cura...

 

E calma... as vezes o hospicio pode ser realmente a cura,

Pois lá eles são loucos, e de loucos para loucos, o mundo é sano...

Agora aqui? Aqui é catastrófico, e estranho....

 

E eles dentro da sua loucura são felizes,

E nós? Que não somos, e que nos iludimos todos os dias?

Criamos laços,... raízes...

Temos tudo, mas no fim não temos nada...

Vai-se tudo numa rajada...

 

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