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Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

25
Abr09

Se pudesse viver de lembranças

Sara Oriana

Se pudesse viver de lembranças vivia,

Perdia-me na minha mente, em mim

Apenas vivendo os doces momentos

Momentos esses em que existia...

 

Agora sou uma cascata sem fim,

Um fundo poço de tormentos

Castigando-me e lamentando-me assim

Lambendo todos os meus ferimentos

 

Mas dia após dia nada melhora

Desde o alvorecer ao entardecer

Sonho sem sonhar e vivo sem viver

 

Vou apodrecendo, não há nada, e tudo piora

Vou vivendo, esperando a minha melhora

Mas sem me iludir, porque disto não vou morrer

 

14
Abr09

Louca

Sara Oriana

Olho para o nada de mim, temendo a loucura

Temendo a tempestade que me vem assombrar

Temendo o nada que é a minha sepultura

E esta solidão que me está a matar

 

Dói-me tudo por dentro, nada fica, nada

Sonho com a noite que nunca mais vou acordar

Sinto-me endurecer, e não quero, estou aterrorizada

Consumo-me por não querer, nem conseguir chorar

 

E tu, ai, bem, andando, rindo, sonhando

 

Então pergunto porquê, grito, rasgo-me

E não há nada ninguém, que me veja

Tudo continua, tudo anda, e eu mato-me

O mundo ignora-me e eu acalmo-me

 

Não há alegria que anteveja

E eu, eu sou doida

Vou ficando meus queridos vou ficando

Uma pobre louca, no mundo, perdida

08
Abr09

Quem sou

Sara Oriana

Quem sou eu? Neste momento sou nada

Um reflexo no espelho banhado em lágrimas

Uma imagem, em mil pedaços partida

 

Quem sou eu? Nada, estou perdida nestas tramas

Perdida, só sinto dor, sou-a de todo

Desfiada, rasgada e embaraçada, tantas mágoas...

 

Quem sou eu? Ninguém, um coração partido

Moribunda, sem o estar, e isso revolta-me mais

Vazia de emoções, mas com a pior de todas bem no fundo

 

Quem sou eu? Tudo, sem ser nada demais

Vazia até ao tutano, Não há nada, ninguém

E eu quero, como tudo o que fui, desaparecer também

 

06
Abr09

Amo-te(e pago por isso)

Sara Oriana

Amo-te tanto, E sei também que não devia

Não devia amar-te assim, não devia perdoar-te assim

Não devia pensar sequer em ti, relembrar-te muito menos

Mas assombra-me tudo isso que eu queria

Estou perdida, sinto-me sem vontade e sem fim

Nem pensas em mim, e tu até estás nos meus sonhos...

 

A raiva que me jorra no peito, não é mais que mágoa

Revolta porque me iludis-te até ao fundo, até ao ermo

Tenho-me a mim, a minha mísera vida, e mais nada

Sou a pobre coitada porque me tomas, isso mesmo

Sim sou isso, arrogante e insegura, até ao âmago

O fel que se instalou na minha garganta não mente

Sou perversa, louca, mas humana, e demasiado crente

 

Terei que pagar por querer na minha vida um pouco de luz?

E vou pagando, como pago, pago com sangue, carne e osso

Que mais tenho eu para além disso? A beleza do mundo que me seduz?

Pago também, deixando de a ver, Tudo isto é demasiado precioso

Para mim, pelo menos para mim. E desafio, o resto

Será por isso? Com certeza, com certeza que nem presto.

 

E nem sei, pobre de mim, sou cega

E continuo a amar-te, amar-te cegamente

Nem quero ir, nem penso que já chega

Apenas sonho ter-te para sempre

Que voltes, amando-me, como talvez nunca o tenhas feito

Salvando-me desta dor que me consome, um acaso perfeito

 

Mas nada, continuo a pagar com o que sou por ti

Amando-te demais para suportar não te odiar

E espero, como uma devota, ansiosa, aqui

Sei que não virás, isto mata-me, sou louca por aqui continuar.

Mas temo a ideia de não te voltar a tocar

Quando ela me alcança, berro, enlouqueço, arranho-me, mato-me

Eu sou uma pobre coitada, eu sei, tu não virás salvar-me...

06
Abr09

Chuva de Verão

Sara Oriana

Sou um mar de lágrimas por chorar,

Água estagnada que não tem por onde escoar,

Sou agua fétida, podre, corrompida

E nada me pode voltar a purificar

Pois há muito que fiquei na sombra perdida

 

Amo a luz desejo-a, faço tudo por ela

Mas no fundo não a tenho, apenas sonho tela

Afasto-me tanto do que sou, só para essa doçura provar

Que quando volto a mim, dói-me ainda mais perde-la

E de mim, não há nada que me possa salvar

 

Perdi-me, fugindo da minha apaixonada loucura

Mas é isto que sou, uma paixão sem cura

Amo de tal forma amar, que me esqueço do que sou

 

Sou a irritante chuva de um dia de verão,

Rego as plantas, acaricio tudo em que toco com devoção

Mas por muito amor ao mundo, todo ele me desprezou

04
Abr09

Azares

Sara Oriana

O azar está na minha cabeça,

Transformarei a caca de pombo em flores,

As quedas em movimentos de graça,

A chuva no futuro a esperança.

E rir-me-ei de todas estas dores

 

Preocupo-me demais, eu sei,

Sou feliz mesmo com tudo errado

Coisas estas que nunca imaginei

Mas agora olham-me porque amei

E não me arrependo de ter amado

 

Sonhos, pequenos pássaros que nos cantam

E com o seu cantar choroso nos encantam

Mas nada sou para julgar, nada sou para calar

 

Eu adoro-os, choro-os, agarro-os, eles levam-me

No seu canto já premeditado, já fadado, elevam-me

E sabendo tudo isso, jamais os deixarei de amar

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