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Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

30
Dez07

O que as palavras querem

Sara Oriana

As palavras querem sair

Mas não tomam forma

Não querem o nada permitir

Querem ser mais que coisa alguma

Querem chorar, como o meu coração chora

Querem gritar, como ele grita

Querem acompanha-lo quando ele se for embora

 

Sem lágrimas, porque essas não as há

Pergunto-me o que de mim será,

Sem palavras com que falar

Sem coração para que possa amar

 

Ás pedras ficarei limitada

E porquê? Porque serei nada

 

Não tenham dó de mim

Porque isto não é o fim

Tenham pena de mim sim

Quando for arrastada por este mar de sargaço,

Só aí, quando não restar nenhum pedaço.

30
Dez07

A noite e a tempestade

Sara Oriana
Sunsurro á noite que se vá embora
Mas ela teima em ficar
E eu aqui fico a observar
Noite, já está na hora
Digo, mas não me ouve

No meu mundo, tudo chove
Não só a água cai do céu
Mas a luz caio no breu
As folhas choveram a terra
os ramos apodrecem,
E o vento chora e berra

E assim todos se esquecem
E eu, eu estou no meio da tempestade
Andado passo a passo
Sem pensar em saudade
Já não aguento tanto espaço...
14
Dez07

A dança

Sara Oriana
Palavras... doces, amargas, venenosas
Tanto terriveis como amistosas
Minhas serventes, minhas amigas
Dancem as minhas amargas cantigas

Quem vos canta sou eu
A bela filha do breu
Que renasceu em todo o seu esplendor
E que repudia mais que nunca qualquer calor

E por entre o vermelho sangue, e o negro
Dacem no fogo do meu ódio
Sintão o calor frio
Da ausencia do que partiu

Agora? Agora estou calma
O breu tingio a minha alma
Tenho uma espada na mão
Mas agora prefiro usar a razão

Manipular, Calcular, Odiar
Sou eu, é o que faço
Pobre daquele que cair no meu laço
Não farei nada mais que o trespassar

Um sorriso negro sem vontade
Abre-se de raiva e de despreso
Apenas ficou a terrivel verdade
E o vazio...
11
Dez07

Anjo

Sara Oriana
Meu anjo que foste
Porque foste embora?
Olha para mim agora...
Foi uma partida da sorte...

Eu estava tão contente
E então fiquei sem o teu abraço
Agora choro, sorridente
Sem colo ou regaço

Mas espera, tu nunca estiveste comigo
Eu bem mereci este castigo
Mas doi tanto
Sinto falta do teu encanto
Rio porque mais nada posso fazer
Choro quando nada mais posso aguentar
Nada fiz para te perder
Apenas não mais te quero amar...
10
Dez07

Cinzento

Sara Oriana
Caminho numa água platinada
Não oiço mais nada além disso,
Os meus passos na água parada...
Não sei o que quero nem o que perciso

Luz? Apenas eu consigo brilhar
Por entre este turvo chapinhar.
O horizonte apresenta-se branco
Olho para baixo, e tenho o meu reflexo
Tudo tão parado, tudo tão sossegado
Tento gritar, não oiço sequer o meu eco

Não existe principio nem fim
A cor desapareceu, a raiva cresce
Cáio, rebolo, bato com as mãos no chão
Nada muda e eu fico assim
Nada vive, nada apodrece
Vivo numa conformidade que desafia a razão

Revolto-me contra água,
Ela espalha-se e volta ao mesmo
Ela que é toda a mágua
Que eu não choro, e não deito fora
Quero chorar, quero que se vá embora

Mas fui condenada a não a libertar
E por ti, nunca mais chorar
Sinto-me ferro, sinto-me pedra
E não permitirei que tenha uma quebra
07
Dez07

Luta e dor

Sara Oriana
Dor, uma dor percistente toma conta de mim
Estou viva?
Não sei, parece que a minha força está no fim
Estarei perdida?

Não! não, não o permito!
Sou muito mais forte que isto!

O meu mundo está tão tempestuoso
Não tenho uma árvore onde me esconder
E isto tão chuvoso
Quem me dera que a chuva basta-se para te esquecer
Mas não, quero me sentar, quero descansar
Mas a dor continua a assolar-me
E eu começo a fraquejar

Não, não pode ser! Eu aguento-me!

Serei forte?
Ao que me condenou a sorte...
Alguém me ajude, perciso de ajuda
Mas no meu mundo não há ninguém
E mesmo que ouvesse, eu estou muda

Rezo aos anjos, e a sorte
Eles nada podem fazer
Vale-me o meu coração forte
mas eu não quero mais sofrer...
04
Dez07

A rainha das trevas

Sara Oriana
Da mais alta torre do sombrio castelo
A rainha espreita, olhos brilhantes e sombrios
Pergunto-me como algo tão belo
Pode dar tamanhos calafrios...
Ela deslisa suavemente entre a bruma
Deixa-se banhar pela lua
E abre as suas aladas asas negras
Bateas, e mergulha nas trevas

O sorriso que transporta, é dor
A amargura que a guia, é rancor
O que a sustem é orgulho
E o motivo obscuro

Ela, grande e bela, é rainha
Do quê, não se sabe
Pois vive completamente sozinha
Num pálacio, onde a chave
Foi inrremediavelmente perdida
E ela, rainha, esquecida

Quem a julga por não ter coração?
Quem a menciona por não merecer perdão?
Se ela foi deixada a apodrecer
Sem para isso nada fazer
Num castelo negro e assombrado
Vivendo no escuro e na bruma
Tendo pesadelos, sem guarida alguma
Vivendo com a dor, lado a lado

É claro que á bruma se juntou
E de sua inimiga,
Passou a sua melhor amiga
Apenas ela sabe o que passou

Se a vida a endoreceu
Foi por tudo o que perdeu
Mas concerteza vive maravilhada
Com a força alcançada

E durante as noites estreladas
Ve-mo-a a voar, sorridente
Não por estar contente
Mas pelas noites ultrapassadas...
03
Dez07

A puta da sorte

Sara Oriana
Ai que puta de sorte a minha!
Quando agarro aquilo que tanto quero
Momentos depois, o doce passa a pó e farinha
Choro sento-me e espero
Luto e perco tempo para nada
Farto-me de sonhar acordada
E depois, engasgo-me com farinha!

Quero esmorrar paredes, quero gritar
Mas não posso, e mato-me a chorar

Sorrio como se não houvesse amanhã
Pois não sei que me trará a manhã
E quem disse que rir e sorrir eram estado de alma
Enganou-se por completo
Porque o meu estado de alma é sangrento, violento
Revoltada com o sacana do meu karma

Pois, mas eu disse que chorava, não foi?
Mas sem lagrimas,,, não sai nada!
E rio-me porque estou condenada
A sofrer pelo que despresava

Continuo com o sorriso vencedor
E apenas ganhei dor
Não, não tento fugir
O que eu mais quero é tudo sentir

Não me rio dos fracos por ser forte
Desses tenho eu pena
Riu-me é da cabra da sorte
Porque me tenta fazer ver,
Que não vale de nada lutar
Que não vale de nada sonhar

Mas eu sou muito mais ousada
Eu sonho eu luto e morro por isso
E ainda me riu dessa grande chanfrada
Porque morro com um sorriso.
02
Dez07

Paz sombria

Sara Oriana
Oh.. La estou eu de volta á minha areia
Ao meu sol quente e seco
Tão pacifico que até chateia
Deixando as ideias seguir
Matando as que me querem afligir

Sem um jardim, uma flor
Uma brisa abençoada
Com aquele cheiro e sabor
De uma criança embalada

Chamo pelos meus anjos, estou sozinha
Chamo-os calmamente, sinto-me pequenina
Uma espada na mão, um caminho incerto
Pelo menos tenho os pés no chão
E não estou perdida no deserto

Areia... qual areia e qual deserto
Um campo de batalha sim, é mais que certo
Estendida, ligeiramente ferida, mas não perdida
As nuvens vão desaparecendo
O sol raia, sem alegria, banha-me de paz
Esse anjo que agora é meu capataz
E assim a minha condição vou esquecendo

Qual capataz?! Qual anjo?!
É o sol, e sol é apenas isso
Um astro,  sem um unico desejo
Eu é que o faço trazer-me paz
Eu é que o transformo em alegria
Ou neste caso paz sombria

Porque em campo de batalha não reina alegria
Porque ele é o decadentismo da humanidade
É o podre, o mau, a morte
Só deixa sofrimento e saudade

Mas para mim, paz apenas
Sei la, sei apreciar coisas pequenas
Como o vento o sol a brisa
Mas não quero pensar
Quero olhar e ficar assim
Sem morrer, sem matar
Quero apreciar o começo do fim

E sem morrer, em pedra me transformo
Me uno á terra, sou parte dela
Humanidade? Não faço mais parte de decadentismo
A paz almejo, e a tenho, sombria mas abençoada
Não estou morta e não sou completamente pedra
Porque sinto a paz tão almejada
Não sou completamente humana
Pois não sinto mais nada

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