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Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

Simples Poemas

Este blog é um local onde partilho os poemas que vou criando, faço-o por puro prazer e diversão. Posto um pouco de tudo, principalmente acerca de sentimentos, emoções e momentos.

18
Ago16

Estilhaços

Sara Oriana

Procuro-te pelo tempo e estilhaços,

Nada encontro onde te consiga reconhecer

Só memórias aos pedaços,

Nada existe onde te possa ver

 

Eu tinha o ódio e a raiva para me sustentar

A lengalenga que repeti eternamente

E talvez por isso sou hoje capaz de te perdoar

Mas era suposto abandonares-me o coração e a mente

 

Não tens o direito de ainda aqui estar,

Já passaram anos! Não me devias ainda assombrar 

Chegas e abalroas o meu mundo...

Tocas-me mesmo depois de tudo

 

Coração estúpido o meu que não aprende

Quase que acredito que hoje seria diferente,

Quase que peço à vida por mais uma chance

Mas o meu coração já não te pertence

Perdes-te-lhe o direito quando o escorraças-te

Quando o deixas-te à chuva e ao relento

Pode ser até somente o orgulho que me impede

Mas jamais voltarei a ser tua, Lamento.

 

10
Mar16

Desapareço...

Sara Oriana

Tu, belo e sereno, levando a vida

Com o teu transbordar de charme

Com o teu cigarro e a tua bebida

Como se o mundo teu fosse

 

E eu aqui já meio desaparecida

Quero virar mesas e partir pratos

Vês , apenas, como mais um dos meus prantos

E não vês, estás cego com o mundo do nada

 

E eu não viro os pratos nem as mesas,

Mas matuto, e se o fizesse?

E se virasse o mundo gritasse e chorasse?

Ver-me-ias? Aperceber-te-ias?


Serei eu o problema? Serei eu a falar demais

Serei eu a ser demais a sentir muito mais?

Dizes ser normal, tudo ser normal

Que com o tempo as coisas acalmam, não há mal

 

Serei demasiado dedicada? Estarei a sufocar-te?

Terei eu me desleixado? Terás tu te acomodado?

Milhares de perguntas que me atravessam a mente

Terão as palavras acabado? Desapareço...

 

26
Jan16

Beijo

Sara Oriana

Olho-te, o meu coração pára por um momento,

O tempo deixa de ser tempo, os teus olhos

Gigantes castanhos prendem-me, estás perto

Sinto a tua respiração, disparam-me os sentidos

 

A tua mão pega-me cuidadosamente na face

Os meus lábios abrem-se num sorriso leve

Tu aproximas-te, os teus lábios tocam-me

Na bochecha, timidamente

Carinhosamente, eu beijo-te

 

E o tempo pára, o mundo pára,

O meu coração dispára

A pele arrepia-se, transformo-me em calor

Desejo, Um carinho, verdadeiro amor

Sinto cada toque cada carícia

 

Puxas-me para ti pela anca

Passo a mão nos teus cabelos,

Que isto não páre nunca!

Fogo, Desejo, Amor,

Tornamo-nos.

 

 

 

04
Jan16

Criança Escondida

Sara Oriana

Caminho, criança, num mundo de adultos

Para mim ainda é tudo a brincar, digo

Mas os olhares caem sobre mim, maduros

E eu sorrio e caminho, não há perigo

 

Mas o tempo trás peso e culpa

E eu cada vez mais fico sem desculpa

Olham-me severamente, e eu estremeço

Deixem-me estar! É tudo o que peço!

 

Mas a persistência do mundo devora-me

Vou-me transformando numa farsa

E brinco que sou o que não sou, perco-me

Riu, Grito, Choro dentro de uma carapaça

 

Envolvo-me na intricada teia do mundo

Do que deve ser e do que é suposto ser

Brinco aos grandes, ponho saltos altos e tudo

Esqueço-me do que sou, dói-me o ser

 

Conformo-me aos quadrados, mas não o sou

As obrigações, as suposições fazem-me tremer

Já ninguém me conhece, nem me consegue ver

Na minha suposta liberdade, emaranhada estou

 

Quero fugir, quero desaparecer, e tudo largar

Quero pintar voltar a sonhar e voltar a viver

Quero o meu tempo de volta, o meu sonhar

Quero me a mim, de volta, antes de perecer

22
Dez15

Saudade

Sara Oriana

Eu, caminho lentamente acostumando-me 

A minha nova vida vai decorrendo

E fujo de algo por dentro

Algo que nada faz senão consumir-me

 

Tu sabes a lenga lenga, coisa ruim

Tu sabes o que deve ser e o que é

Mas o tempo passou e até

a mágoa levou, deixando-me assim

 

Sinto que tudo parado ficou

Minto-me, e dói-me

Olho pelo ombro e retraio-me

O tempo não parou...

 

Eu sai daí

E para sempre parti

 

 

10
Mai15

Corro

Sara Oriana

Eu Corro,

Como se a minha vida dependesse disso

Eu luto por Respirar,

Porque é como se me faltasse o ar

E continuo,

Continuo e 

Continuo

Sem parar,

Sem respirar,

Sem daqui sair

 

E Choro,

Sem saber,

Sem perceber,

o porquê.

 

Fico louca,

Como pode?

Este Coração,

Amar assim,

Perder-se assim,

Quebrar-se assim

e tornar-se em dois...

 

Como posso

eu viver

não

ao mesmo tempo?

 

Como posso

amar

e estar

partida

ao mesmo tempo?

 

E corro,

corro,

fujo,

de mim,

de ti, 

dele

 

não

sei

quem

sou...

 

03
Jun14

Poeira

Sara Oriana

O mundo agarrou em mim despedaçou-me

O sol queimou todos os pedaços

A água lavou a cinza que o sol deixou

O vento ensinou-me a voar

E a terra acolheu-me no seu regaço

 

Mas nem mesmo ai existe descanso

O ciclo repete-se, até que a tontura vença

E mesmo assim, continua até que pereça

 

Digo-me já ter sido feita em tantos pedaços 

Que mais nada sou que areia

 

Mas o que me custa mais é o que poderia ser

O que custa mais é que nada é meu e nada posso ter

Tudo perco e tudo vou perder

 

E de areia passo a pó e de pó passo a poeira, 

E assim continua até ficar sólida de novo, se a isso chegar

e a poeira volto, desesperada e a chorar

 

06
Mar14

Ironia

Sara Oriana

Tu és a brisa fresca no meio do deserto

Um sopro de esperança no meio da dor

Não desapareças e me deixes aqui

 

Estives-te aqui só por um momento

e trouxes-te-me da paz o sabor

Não me deixes aqui assim

 

Perdida no negro da minha alma

A lidar com uma realidade amarga

 

Eu sei que tenho que ficar

Mas não quero

Eu sei que também não me podes amar

Mas mesmo assim espero

 

Ironia dizias tu... E digo ...Ironia

Ironia porque nada é mais do que foi

Nada vai ser mais do que é

 

E eu aqui vou ficando, já lhes perdi a conta

E tu ai vais ficando, olhando a tua cota

 

Um dia talvez, dizem eles

Um dia talvez que esqueço o mundo

E nós partiremos para longe de tudo

De nós e dos nossos corações

 

Ou talvez se a sorte permitir

Tu vais-me dar o teu e aceitar o meu

E assim tudo virá e poderemos partir

Mas não sei o que me aguarda a sorte

Não sou capaz de acreditar em tuas palavras

A esperança é escaça em meu coração

E tu também não me acreditas

 

Ironia... mas talvez um dia...

 

 

 

 

28
Fev14

Deserto

Sara Oriana

O meu coração é como um deserto

Seco e quente, vazio

É isso que sinto verdadeiramente nada

Mas nada de bom nem nada de mau

Estou cansada de tanto sentir

Que tudo secou tudo morreu

 

Eu dei-to sabes? O meu coração

E tu deixas-te-o secar e morrer

Como foste capaz? Porquê?Porquê?!...

 

Tu nunca me deste o teu... fingias só que davas

Ou que ias dar, ou talvez nunca tenhas fingido

E eu é que acreditei em palavras vagas

Ou crenças por mim fabricadas

 

E entre as cinzas do meu deserto

Enquanto deambulo por ali adiante

Pergunto-me onde errei... onde e porquê?

 

Nunca me amas-te? nunca me quiseste?

Tanto tempo, e porquê?

E lembro-me de tempos em que por mim tudo farias

E lembro-me das brincadeiras e das loucuras

E morro, morro mais um bocadinho

 

 

28
Fev14

Desilusão

Sara Oriana

Rancor é pouco para descrever isto

Raiva é talvez aquilo que mais sinto

Mas não sei bem do quê nem de quem

Não sei se é de mim por te deixar andar

Não sei se é de ti por pouco te importar

Não sei se é do destino que me levou a ti

Não sei se é de mim que me menti

 

E depois de acordar de todas as ilusões

O mundo parece-me estranho mas familiar

O pior é que nunca ouve nem há discussões

Porque o que mais queria era gritar

 

Gritar porque sim, gritar sem razão

Até deixar de sentir esta agonia e esta desilusão

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